trabalho normal 2018

Trabalho normal é composto por uma série de cinco ações, cada uma delas com a duração de uma jornada de trabalho convencional – um período de 8h. Todas as ações da série são inúteis e não geram nenhum resultado ou produto do ponto de vista prático. As ações partem de projetos de artistas que discutem o paradoxo da inutilidade da arte: Francis Alÿs, Marta Soares, Artur Barrio, Brígida Baltar e Tehching Hsieh.

o que você desejar, o que você quiser, estou aqui pronto para servi-lo 2003

Eu bordei num trabalho: “O que você desejar, o que você quiser, eu estou aqui pronto para servi-lo.”. É uma relação servil, mas é você quem escolhe.
Leonilson

Este título, referente a uma obra do artista plástico Leonilson, serve como ponto de partida para uma investigação das relações entre performer e público.

Que relação o título propõe? Quem está a serviço de quem? Qual discurso de relações de poder se estabelece entre performer e público?

A obra aqui se completa a partir da presença do outro. O público não habita o espaço da performance passivamente, mas é responsável pela ocupação desse espaço relacional que se estabelece. Antes participante que espectador, dele dependem os rumos, a qualidade, o sentido mesmo do encontro.

Nesta proposta, cada performer recebe um participante por vez, numa exploração conjunta da arte como discussão de relações de poder, identidade e desejo.

dois do seis de setenta 2004

dois do seis de setenta observa a ambigüidade existente nos conceitos de belo, estranho, normal ou inusitado que se revela na contraposição entre a beleza formal do corpo e os traços da sua própria desintegração diária: marcas, cicatrizes, o corpo pelo “avesso” com seus órgãos expostos. A idéia do corpo como lugar habitado, registro da experiência, material de construção de um ideal estético e, ao mesmo tempo, prova da finitude da existência.

dança contemporânea em domicílio 2005

dança contemporânea em domicílio investiga a experiência de “entregar” dança contemporânea em locais onde ela não é esperada, buscando espaços despercebidos, brechas no cotidiano.
Busca-se aproveitar a imagem de um entregador comum para recriá-la em outro contexto. A encomenda pressupõe um dançarino que realiza o seu ofício, entregando um bem não-utilitário, uma “mercadoria” não usual, cujo consumo está na fruição do espectador.

Uma dança que se importa menos com movimentos concretos e mais com os espaços imaginários abertos no encontro com o espectador – consumidor: qual o lugar deste ofício, como é percebido, quais seus recursos, qual seu alcance, como é remunerado?

Qualquer pessoa pode solicitar gratuitamente dança contemporânea em domicílio em qualquer lugar que queira recebê-la (em sua casa, escritório, loja, mercado, em uma praça, no café que freqüenta, etc).

caixa-preta 2006

A caixa-preta dos aviões não é preta: é vermelha ou cor de laranja, para que possa ser encontrada com facilidade no meio de destroços. Quase sempre há duas caixas-pretas: Uma grava o som dos últimos trinta minutos de comunicação entre os pilotos e o posto de controle em terra; a outra, os dados de navegação aérea. Uma vez encontrada, a caixa-preta é inserida num simulador de vôo, de modo que possam ser revividos os fatos ocorridos.

Acredita-se normalmente que o exame da caixa-preta após um acidente mostra imediatamente as suas causas – o que nem sempre acontece, pois tudo que está gravado ainda precisa ser interpretado.